Amargo é o sabor da maturidade.
Volta e meia eu retorno ao meu casulo particular, o lado bom de ter um casulo particular feito esse aqui é que ninguém me conhece, ninguém se importa, ninguém vê e ninguém julga. Desde que me entendo por gente as coisas externas me afetam mais do que deveria, sempre foi assim e eu sempre escondi isso muito bem ou pelo menos acho que sempre o fiz muito bem. "você não é o que os outros pensam de você", isso aqui é muito mais fácil sendo falado do que praticado, como não se importar? como realmente não ligar pra essas coisas?
Um dia fui a um psicólogo, primeira e última vez que fui, acho que nunca vou me sentir confortável falando com um desconhecido coisas sobre mim que nem eu mesmo sei se é verdade, as vezes pode ser meu álter ego falando, quem sabe? eu? ainda não tenho esse nível de consciência.
Parece teimosia minha, ainda persistir em coisas e insistir em viver num passado (nem tão distante) que as vezes não sei se me cabe mais, continuo persistindo e insistindo em soltar as palavras e externalizar o que eu sinto, mas no final só me parecem um monte de palavras vazias, o que pensando por outro lado também não é tão ruim.
Vou contar uma história.
Num dado momento da minha vida decidi fazer umas coisas diferentes e acabei conhecendo uma pessoa que me fez mudar muito, mas não pro lado ruim, pro lado bom, mais maduro, mais maturidade, mais pensamentos e reflexões sobre a vida, foi bom, foi ótimo, até a pessoa se dar conta que ela tinha conseguido tirar tudo o que conseguiu de mim e nos últimos dias eu ouvia coisas do tipo "você é uma pessoa vazia", na verdade eu não sei como ela não se deu conta disso antes, afinal, sempre mostrei ser aquilo que, afinal, ainda sou, mas ao que me parece ela queria mais e eu não pude por diversos motivos que eu talvez um dia consiga numerar mas não é do meu interesse, pra que vou me martirizar por algo que já me machucou bastante!? Só pra poder "sentir"? Me poupe. Estou bem com minha solidão e minha solitude.
Quando em 2010 eu comecei a ler coisas sobre relacionamentos líquidos e relações liquidas eu achei que era neura da minha mente, mas ao que parece também eu sempre estive um passo a frente de mim mesmo, como se eu tivesse trapaceado no jogo da vida no quesito relações humanas e hoje eu nem preciso mais jogar, jogo quando quero, jogo quando me convém, nada surpreende mas eu faço um esforço pra nada perder a graça, dando um toque de emoção nas coisas, só pra ter o prazer de sentir.
Sentir, tá aí uma coisa que sempre foi o centro das minhas atenções quando penso nas relações, sentir algo por alguém com amor romântico que a gente sente quando adolescente pra mim parece estar muito fora de questão e eu juro que não é por vontade própria, na verdade, é a maior verdade da minha vida que eu sempre fugi e desde os meus 14 anos eu tento me transformar numa pedra, o que uma decepçãozinha amorosa não faz né? Tudo é mais forte quando nós estamos com os sentimentos e emoções a flor da pele. Aos 16 eu já achava que sabia demais, nossa, uma prepotência sem tamanho, hoje com 25 eu tento achar resposta pra umas coisas tão banais, tento viver de saudades e viver de coisas na minha cabeça que nem vivi ainda.
Não consigo olhar de fora e ver o que meu eu de 16 anos tem de tão diferente do meu eu de 25 anos, fora as tatuagens e as marcas no coração, ainda sou o mesmo menino confuso, com medo, fugindo de não sei o que mas que gera um medo constante, fugindo de não sei o que, mas fugindo a todo momento.
Nunca tive coragem de ler as coisas antigas que escrevi e escrevo, seria o medo de descobrir que a minha vida inteira eu não consegui sair do mesmo dilema? ou seria o medo de descobrir que minha vida só faz sentido com esses dilemas? Na verdade, é o medo de saber o que eu já sei, que tudo depende de mim, que minhas escolhas são minhas, que minhas responsabilidades são minhas, é confortável viver no meu mundo e por mais que eu queira sair, eu só saio e se valer a pena e no final o meu dilema é esse, descobrir quando realmente vale a pena.






